Só pra constar que o post à seguir é meio desconexo, pois são pedaços de um história que eu comecei a escrever. O narrador de chama Josh, um adolescente. Clarice é a mãe, Sam a irmã mais nova, Allan o padrasto, Katherine a meia-irmã. É confuso, eu sei. Enjoy it!
(Josh’s point of view.)
Eu queria fumar. Estava me sentindo um daqueles velhos, acabados, com seus cinqüenta anos de existência inútil, entrando numa sala e dizendo ‘eu não fumo há dois dias’, sem ouvir nenhum aplauso, porque nem os caras em recuperação te veriam como grande coisa. Mas eu precisava me acalmar, quer dizer, já não basta ter que aguentar a louca da Clarice todos os dias, eu ainda tenho que lidar com o fato de que Allan quer que sejamos uma família… família, não soava agradável, pra ser bem sincero, me dava certa ânsia, era muito coisa de drama adolescente. Não era pra mim.
Estava frio, e eu acho que era a única pessoa com coragem o bastante pra sair de casa numa manhã daquelas. Eu estava com um casaco enorme, sempre me sentia meio Sherlock Holmes – se você não contar o fato de eu ter 1% da capacidade mental dele, claro. – vestindo aquilo. Eu só não havia socado meu doador de esperma essa manhã, porque, bem, porque Samantha estava presente, senão, eu faria questão de levar alguns pontos na mão. Teria me feito bem de fato. Eu estava em dúvida entre um café e um hambúrguer, visto que o hambúrguer me acalmaria muito mais, mas não achei que haveria algum lugar que os venda aberto antes das onze da manhã e ainda eram oito e meia, ao que resolvi olhar no celular.
O que exatamente eu ia fazer, às oito e meia da manhã num sábado, eu realmente não havia planejado quando saí de casa, quer dizer, eu não tinha dormido. Deveria estar com a cara amassada, isso se você não contar as olheiras, não que eu ligasse, mas eu deveria estar com uma cara de maníaco. Rolei os olhos, xingando baixo: – Droga de lugar que não tem nada. – E rolei os olhos, eu ia achar algo pra fazer… nem que fosse numa padaria. Continuei andando em direção a mesma, pelo menos, lá tinha cigarro.
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Como eu adorava domingos! Allan viria aqui, Clarice teria um ataque de ansiedade até resolver não levantar, íamos pedir qualquer coisa que Samantha ou Katherine quisessem que desse pra ser entregue na hora do almoço e íamos fingir que nos importávamos, quase tudo nessa ordem. Isso se eu não tivesse uma briga com ele, e estragasse tudo… como acontecia em metade das vezes que ele vinha pra cá.
Era ridículo vê-lo tentando fazer todos nós agirmos como se fossemos uma família. Não éramos. Eu nunca ia confiar nele, não quando largou Clarice quando mais precisava, ou quando veio apresentar uma menina quase da minha idade como minha irmã. ela não é filha da minha mãe, ela não é minha irmã… foi como se ele tivesse assumido que traiu minha mãe grávida de mim na cara dura. Além do mais, eu não gostava da garota, ela soava mentirosa e vadia, não pergunte.
Rolei os olhos e liguei a TV quando chegaram, eu ia pôr em qualquer filme que os mantesse longe, qualquer coisa parecida com Freddy Krueger, ou algo assim. Ou talvez eu resolvesse assistir alguma daquelas séries educativas que Sam gostava tanto e gritasse com ela as musiquinhas, não sei. Mas eles não iam querer um ‘almoço em família’ tão cedo.
- Chegaram! – ouvi Samantha gritar, enquanto enfiava a cabeça na janela pra dar tchau. Ela era boazinha demais, não via o que realmente eram no auge dos seus seis anos. Coitada.
- Ok, Sam, lembra que a mamãe ta doente, e que temos de dizer pra eles irem embora logo, ok? – Eu disse, dando o meu melhor sorriso de ‘faça o que o irmão mais velho disse’.
- Mas eu quero que eles fiquem! – Respirei fundo, bufando quando ouvi isso.
- A Clarice está mal, você que sabe. – E mudei a TV, olha que sorte! Jogos Mortais, hoje era dia da maratona.
Vi Samantha se levantar aos pulos mais altos que conseguia e virar a maçaneta pra um velho barbuda e uma garota com cara de nojo. Era exatamente assim que eles se pareciam todos os dias para mim, queria saber como era vê-los sem achar que eram dois idiotas… ou talvez não quisesse e fosse só um devaneio pela falta de álcool, o que seria bem mais explícito se falando de mim.
- Bem vindos! – Ouví a menor exclamar, e aumentei a TV pra evitar de ter que ouvir toda aquela falsidade de ‘saudades’ e tudo mais que eles diriam a seguir. Se não fosse ridículo, eu vomitaria, aqui mesmo. Achei que alguém havia direcionado algum cumprimento à mim, porque vi que ambos o olhavam esperando alguma reação, tirei os tênis e postei os pés em cima do sofá antes de dizer um singelo: – E aí? – essa era a minha participação na conversa que poderiam resolver ter, ou talvez eu resolvesse me intrometer e estragar o domingo deles.
Como era o plano inicial. Claro.
Ouvi alguém falar sobre algo de almoço, e vi o cara cortar a própria perna no filme… muito instrutivo, falei meio que automaticamente: – Pizza! – e dane-se se não quisessem comer pizza, eu ia pegar o telefone dali à meio minuto e ligar pedindo uma. Na melhor das hipóteses, eu comeria sozinho. Eu não ia abaixar a TV, o cara tinha algum tipo de serra. Serras são legais. De qualquer forma, não achei que alguém estivesse prestando atenção a mim, estava me perguntando em que ponto Clarice ia resolver se manifestar e dizer algo, porque eles ficavam constrangidos quando ela aparecia, ou gritava. eu achava o máximo. Mas resolvi me manter entretido com o sangue, as partes de corpos espalhadas e ignorar as risadas toscas atrás de mim.
Um belo dia, hoje seria.
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